quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

"Morto Vivo"


Te vi nu, cru, insosso, ateu, frívolo, cálido, morto. Vivo... Perseguindo-me com mãos fúnebres e putrefatas, decompostas, urrando por vísceras, clamando por intermináveis sessões de horror, devassidão e luxúria. 
Corri puro, só, vago, sátiro, esperto. Corri pra longe da morte que o trazia em desesperado fulgor, lutando para viver, golpeando-te de longe para que não me ferisse.
Deparei-me súbito contigo. Arrepios são meras sensações de formigamento quase insensíveis, quando agora se está nos braços de um sanguinário maldito. Um morto vivo que grita alto, que ruge por sangue quente, por pulso, por luto.
A luta é vã quando se trata de um monstro sobrenatural, terrorista do passado, montado em erros antigos que agora , supostamente não deveriam ter valor, mas são caros. Paga-se um preço altíssimo.
Correr não faz sentido, esconder-se tão pouco. Cabe então render-se ao hábito, ao bafo quente do suspirar da morte que se aproxima já montada, já armada, assassina.
Rendo-me então ao seu hálito de podridão, que ao poucos seduz, levemente conduz, ao sepulcro já preparado, limpo e adornado, para um, como eu, pobre coitado, descanso eterno de nós. Me entrego ao defunto andante, ao meio-vivo, terror galopante, que aos poucos me suga, me devora, me consome, tentando por mais uma vez, sentir o prazer de provar de mim, do meu amor, meu pudor, minha tristeza, até meu fim.



Ayron B.

sábado, 1 de dezembro de 2012

"Vingança"




Então esse é o fim de tudo... Eu caí e você não pode me segurar, por que se manteve longe de mim, se manteve inexistente, como sempre foi e eu não dei conta.
Eu fui estúpido em imaginar que alguém como você poderia sentir algo humano, algo digno. Você se perdeu nesse mundo meu pedaço amado de absolutamente nada. Queria eu poder te concertar, como se faz a um brinquedo quebrado, a um objeto que se gosta muito. Mas primeiro de tudo, não se concerta o que não se quebrou, já que você veio ao mundo deformado com tanta maldade e frieza. Não se concerta algo como você, por que se perde tempo tentando se recuperar o que se ama, e você arrancou qualquer espécie de amor de dentro de mim com tamanho descaso.
Nunca me senti tão vazio a ponto de meus dedos escreverem com inacreditável autonomia. 
Eu caí, graças a você... Mas em questão de segundos eu me vi de pé, te amaldiçoando e praguejando, te desejando o pior, querendo o seu fim.
A raiva passa, mas o ressentimento, a mágoa, a repulsa vão ficar, para me lembrar do dia em que você me fez me sentir um príncipe encantado de contos e fada, só pra me matar, me tirando meu final feliz.
Eu acreditei já ter visto e sentido de tudo na vida, mas obviamente eu estava completamente errado, por que  quando o assunto é você, o jogo é sujo, desonesto, sem compaixão e amedrontante. Mas me cansei dessas viradas de jogo. Me cansei de você.
Não vou agir como um tolo novamente, por que sei que é exatamente o que você espera de mim. Desta vez não vai ficar por tão pouco, meu amado. Estou perto demais para iniciar uma guerra, então vou jogar o seu jogo. Vou brincar de ser um monstro oco, baixo, sem coração e vulgar que eu sei que você é. Vou te mostrar que tudo o que eu te ensinei e foi em vão, me fez perceber que eu é que devia aprender de você. Foi exatamente o que eu fiz.
Você  achou que ia correr por aí crescendo sua coleção de corações destruídos sem pagar um preço por isso, mas se enganou. Se lhe resta qualquer apreço que seja, por alguém, por alguma coisa, eu vou pegar isso, transformar em um grande monte de cacos, destruir, espatifar, pulverizar, e te devolver em um embrulho aparentemente lindo e apaixonante, como um sorriso seu...




Ayron B.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"Drama"




Cansado da minha própria mente, me deito em sono vazio e cheio de sonhos... nenhum deles sobre você. Mereço mais do que tanto drama, tanta trama, Se você tanto diz que me ama, um vício tem. Seres assim nunca amam ninguém.

Ayron B.

"Egoísmo"





Bem... É isso aí! Mais uma vez descarregando tudo do meu drama em um texto vazio, não lido e brevemente esquecido em meio a muitos papeis em branco.
Mais uma vez você me feriu terrivelmente com tão grande desprezo, me fazendo perceber a imensidão que é a perda do tempo que te dedico.
Um mentiroso! É exatamente o que você é. Passa a maior parte do seu tempo tentando me pagar por algo que te dou com tanto amor, que quando sua máscara cai, simplesmente é asqueroso quando paro para imaginar seu rosto nu, sem essa camada maciça de tantas mentiras.
Estou exausto de pensar em você, trabalhar meu amor, minhas restrições, meus dramas e no fim só receber como pagamento, um espaço incompleto, meio cheio, de metade de um amor recriado. Amor esse, que nada mais é do que uma fração copiada, de cada arremedo de relacionamento que você já viveu.
Se eu não sou suficientemente humano, mutante, bruxo, vampiro, monstro ou extraterrestre pra você, por que simplesmente não me deixa ir? Por que não me diz que e eu posso mudar meu rumo e fugir de tanta decepção? Egoísmo, outro erro.


Ayron B.

"Vampirismo"





Então aqui estou de volta, tentando mostrar um pouco de atitude. Eu, que sempre romântico inveterado e com o coração sempre em lotação, me sinto assustado em imaginar que já não há nada por dentro.
Não sei por que estou tão amedrontado se já estive por aqui, se já senti tudo isso, se já ouvi todas essas palavras antes. Promessas vazias e infundadas que dia após dia, me fazem parecer mais e mais estúpido.
Diga-me você! Por que continuar com tanto desencanto, tanta mentira? Para que tanto ânimo? O mundo está por findar, não vai existir mais nada amanhã. Mas se você tivesse coração me ouviria, me abraçaria, me amarraria por toda uma eternidade que nem sabemos se existe.
Bobo eu! Me escondo todos os dias do sol que nasce, da lua que me lembra da promessa, da vida deixada para trás, da porta entreaberta, lembrando de um vampiro inconsequente que nada mais quer senão o que corre em minhas veias, o que me faz vivo e pulsante: o mais puro amor.
Perdão por te culpar por tudo o que não pude ser ou fazer, mas enquanto isso tente ouvir de dentro de você se restou sequer qualquer tipo de prazer em me fazer sofrer, e faça! Me desgrace com meu próprio amor, me mate, me sufoque, me humilhe, me sugue! Só não me deixe me sentir morto novamente.



Ayron B.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

"Essa é a razão pela qual eu escolhi amar você"

Dizem por aí que não se escolhe amar, mas não vejo razão pra se deixar ser escolhido.
O amor quase sempre dói muito mais do que faz bem, do que faz feliz...
Mas eu escolhi amar você, independente do que o futuro pode guardar pra mim, independente da dor q eu possa sentir ao te ver fugir de mim quando eu já não for tudo o que você sempre quis...
Eu escolhi amar você, pra ver o seu sorriso bobo e frouxo quando estamos juntos, pra sentir seu cheiro único quando você passa por mim no lance da escada.
 Escolhi te amar, por que já não aguentava a ideia de deixar outro alguém amar você, por que não queria sonhar um sonho qualquer q não fosse o seu, por que não queria me ver num futuro distante longe dos seus olhos de avelã.
Eu escolhi amar você, por que quando eu abro minha janela e vejo seu rosto abobado me esperando te deixar entrar no meu mundo, percebo q isso é tudo o que eu quero ver pelo resto dos meus dias.
Eu escolhi amar você, pra dormir de costas no verão, pra papear na madrugada a luz do cruzeiro do sul, pra falar como criança e abusar de todo o meu sotaque do interior, sem medo de parecer tão ridículo quanto isso tudo pode soar...
Eu escolhi amar você, pra ter um troféu que eu possa exibir pros meus amigos. Pra mostrar que eu tenho algo único e lindo, só meu...
Eu escolhi amar você, por que eu não tive escolha. Eu somente escolhi deixar que todo o meu corpo falasse, agisse, mostrasse tudo àquilo de que meu coração estava cheio. O que posso dizer? O meu amor não é nem sequer uma escolha. Meu amor por você é uma condição, um fado. Meu amor por você é um buraco negro que me suga, me consome, me desintegra... Meu amor por você é um vazio, cheio de você, sem fim, sem regras, sem fronteiras, sem maneiras ou razões. Meu amor por você é uma verdade, que justifica todas as mentiras ditas, é exceção que se abstém de toda dúvida, que me concretiza, que me faz vivo. Meu amor por você é com certeza a extensão de algo transcendental, celestial... inescolhível .




Ayron B.

domingo, 18 de dezembro de 2011

"Cheio"



Fecho os olhos e aguço os ouvidos. O som lá de fora chora feito criança com fome.
O vazio barulho da cidade, cheio de onomatopéias sem sentido, estridentes e perturbadoras, penetram a mente do homem solitário que nada mais tem para descrever, senão seu próprio eu vazio de si e cheio dos outros. Completamente cheio de todos.
O som choroso da brisa fria da noite de domingo. É fim de ano, tudo chora tudo ri, tudo é festa, retrospectiva de tudo que foi totalmente sem intenção alguma, posto num pedestal quebradiço, feito do vidro mais vagabundo, durante todo o ano.
O som tilintoso do gotejar da chuva de verão que cai no vidro da janela, lembrando-me os “ding-dongs” dos sinos ingleses, das capelas napolitanas, dos gongos mandarins, dos “bips” americanizados. Novos tempos... Viagens que eu não fiz.
A umidade que escorre de fora pra dentro, invadindo meu espaço outrora tão aquecido, seco, aconchegante, fazendo-me lembrar que o lado de fora ainda existe. Não que este homem não se lembre de sair, mas lá fora chove, venta e faz barulho. Volto pro meu aconchego, de novo solitário, sem nada a descrever, vazio, cheio de todos.



Ayron B.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Respostas"


Como é pra você dormir todos os dias, convivendo com a dor de saber que eu me dou por inteiro e você só me é um átomo?
Como se convive com o sentimento de torturar em indiferença a única alma andante que lhe dá todo o amor presente na atmosfera?
Como se sonha um sonho novo, quando alguém sonha por você o mesmo sonho de estar junto desde o princípio da eternidade?
Como se ouve um som pensando em outro alguém, quando o nosso som toca dentro, no profundo mais profundo que algo fisicamente audível pode chegar?
Como é pra você dizer: “Eu preciso de um tempo sozinho”, quando nosso tempo juntos nem começou?
Como se ensina a alguém a viver como você, pensar como você, sonhar como você e de repente fazê-la sentir como se você nem sequer existisse?
Como você consegue dormir a noite sem ouvir meu choro, enquanto todo o resto do mundo ouve?
Como consegue me fazer sentir seguro do seu lado e somente no momento em que eu preciso de segurança você me joga do abismo?
Como é a solidão pra você?
Como é se esconder do mundo pra você?
Como é fingir ser igual a todo mundo pra você?
Como é ser poético pra você sem conhecer o amor?
Como se diz eu te amo sem nem sequer saber o que o amor é?
Como se toca sem chegar perto?

Graças a você, hoje eu respondo a todas essas questões, apenas com um arremedo de sorriso, um esboço do que eu costumava ser...



Ayron B.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

"Maquiagem"


As vezes paro a pensar em quão grandes são as injustiças cometidas pelo mundo a fora. O pior, é que as atitudes tomadas a partir de nós seres humanos relativamente concientes e honestos, nem sempre é suficiente ou intencionalmente eficaz. Muitas vezes, faz-se somente uma maquiagem por cima de tudo que está esrrado pra que pareça bunito ou subentendido...
Partindo por um princípio assim tão hipócrita, seria fácil talvez se eu usasse uma base de cobertura média-alta, mineral, ultrafina, para cobrir metade que fosse de toda essa corrupção e deslealdade que se vê todos os dias entre os governantes, comerciantes, empresários. Problema resolvido! Talvez...
As vezes, um blush com uma cor vibrante, num tom terracota, sem muito brilho, mas extremamente pigmentado, pudesse dar uma tapeada nesse preconceito generalizado, imbutido em comentários maldosos e de extremo mal gosto, que se ouve saindo de bocas das quais deveríamos ouvir palavras de acalento, segurança, certeza!
Um fumê bem sombreado, em tons não necessariamente coloridos, com poucas cores, mas bem trabalhados, já dariam vida ao olhar de tantos cidadãos que andam de cabeça baixa, tristes, abrorrecidos, por viverem às margens de uma sociedade que por si propria já é infeliz, incompleta, mas que faz questão de proporcionar esse sentimento de exclusão, insuficiência, incerteza, à grande maioria dos cidadãos honestos mas sem oportunidades.
Um vermelho vivo! Muito atrevimento e ousadia para os lábios. Ainda finalizado com um gloss de efeito hidratante e espelhado para bocas corajosas e incisivas. Lábios esses que instintivamente se abrem, num grito de desespero, para se impor com toda a indignação que a sociedade vive dia após dia, e lutar contra essa opressão vivida através da pobreza, da incredulidade na força da vida, do preconceito, da morte gratuita, da violência indiscriminada, do roubo aos honestos, do preconceito contra os que não tem culpa, da desigualdade em proporções faraônicas, da tristeza por sabermos que tudo tende ao fim... Ao caos...


Ayron B.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

"Cicatrizes"


Você me feriu...

Deixou uma ferida aberta e tão profunda, que já não sei se um dia ela vai se fechar.

Você me fere...

Todos os dias com a frieza do seu olhar, das suas palavras, da sua indiferença, da sua falta de amor; você revira as víceras da mesma ferida que outrora me causou.

Você se feriu...

Ao abandonar todos os seus paradigmas por um absoluto equívoco de vida.

Você se fere...

E insiste em se ferir todos os dias, ao reprovar o que seu espelho lhe apresenta, ao ignorar o amor que lhe ofertam, ao despresar a vida que lhe foi dada. Pra ser vivida.

Você vai me ferir...

Sei que vai...

Você sabe até por onde começar, e todos os dias insiste em me fazer acreditar nessa mentira, que impede a fístula purulenta que se formou, de ter um fim. Amor...

Cicatriz...

È tudo o que vai me restar...

Quando mais uma vez você romper os pontos que tanto tempo eu demorei para cozer, na pele já quase morta do meu coração. Naquela ferida imunda que ao longo do tempo eu deixei você cultivar, sem perceber o quão profundo você tocava. Já sem ferida, mas com marcas, muitas marcas, eu vou olhar para tras e te querer de novo; Te querer como já quis insaciavelmente. Mas vai bastar olhar para os sinais, as cicatrizes, pra me lembrar do quanto você me fez mal, e então, te amar outra vez...




Ayron B.