quarta-feira, 18 de maio de 2011

"Respostas"


Como é pra você dormir todos os dias, convivendo com a dor de saber que eu me dou por inteiro e você só me é um átomo?
Como se convive com o sentimento de torturar em indiferença a única alma andante que lhe dá todo o amor presente na atmosfera?
Como se sonha um sonho novo, quando alguém sonha por você o mesmo sonho de estar junto desde o princípio da eternidade?
Como se ouve um som pensando em outro alguém, quando o nosso som toca dentro, no profundo mais profundo que algo fisicamente audível pode chegar?
Como é pra você dizer: “Eu preciso de um tempo sozinho”, quando nosso tempo juntos nem começou?
Como se ensina a alguém a viver como você, pensar como você, sonhar como você e de repente fazê-la sentir como se você nem sequer existisse?
Como você consegue dormir a noite sem ouvir meu choro, enquanto todo o resto do mundo ouve?
Como consegue me fazer sentir seguro do seu lado e somente no momento em que eu preciso de segurança você me joga do abismo?
Como é a solidão pra você?
Como é se esconder do mundo pra você?
Como é fingir ser igual a todo mundo pra você?
Como é ser poético pra você sem conhecer o amor?
Como se diz eu te amo sem nem sequer saber o que o amor é?
Como se toca sem chegar perto?

Graças a você, hoje eu respondo a todas essas questões, apenas com um arremedo de sorriso, um esboço do que eu costumava ser...



Ayron B.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

"Maquiagem"


As vezes paro a pensar em quão grandes são as injustiças cometidas pelo mundo a fora. O pior, é que as atitudes tomadas a partir de nós seres humanos relativamente concientes e honestos, nem sempre é suficiente ou intencionalmente eficaz. Muitas vezes, faz-se somente uma maquiagem por cima de tudo que está esrrado pra que pareça bunito ou subentendido...
Partindo por um princípio assim tão hipócrita, seria fácil talvez se eu usasse uma base de cobertura média-alta, mineral, ultrafina, para cobrir metade que fosse de toda essa corrupção e deslealdade que se vê todos os dias entre os governantes, comerciantes, empresários. Problema resolvido! Talvez...
As vezes, um blush com uma cor vibrante, num tom terracota, sem muito brilho, mas extremamente pigmentado, pudesse dar uma tapeada nesse preconceito generalizado, imbutido em comentários maldosos e de extremo mal gosto, que se ouve saindo de bocas das quais deveríamos ouvir palavras de acalento, segurança, certeza!
Um fumê bem sombreado, em tons não necessariamente coloridos, com poucas cores, mas bem trabalhados, já dariam vida ao olhar de tantos cidadãos que andam de cabeça baixa, tristes, abrorrecidos, por viverem às margens de uma sociedade que por si propria já é infeliz, incompleta, mas que faz questão de proporcionar esse sentimento de exclusão, insuficiência, incerteza, à grande maioria dos cidadãos honestos mas sem oportunidades.
Um vermelho vivo! Muito atrevimento e ousadia para os lábios. Ainda finalizado com um gloss de efeito hidratante e espelhado para bocas corajosas e incisivas. Lábios esses que instintivamente se abrem, num grito de desespero, para se impor com toda a indignação que a sociedade vive dia após dia, e lutar contra essa opressão vivida através da pobreza, da incredulidade na força da vida, do preconceito, da morte gratuita, da violência indiscriminada, do roubo aos honestos, do preconceito contra os que não tem culpa, da desigualdade em proporções faraônicas, da tristeza por sabermos que tudo tende ao fim... Ao caos...


Ayron B.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

"Cicatrizes"


Você me feriu...

Deixou uma ferida aberta e tão profunda, que já não sei se um dia ela vai se fechar.

Você me fere...

Todos os dias com a frieza do seu olhar, das suas palavras, da sua indiferença, da sua falta de amor; você revira as víceras da mesma ferida que outrora me causou.

Você se feriu...

Ao abandonar todos os seus paradigmas por um absoluto equívoco de vida.

Você se fere...

E insiste em se ferir todos os dias, ao reprovar o que seu espelho lhe apresenta, ao ignorar o amor que lhe ofertam, ao despresar a vida que lhe foi dada. Pra ser vivida.

Você vai me ferir...

Sei que vai...

Você sabe até por onde começar, e todos os dias insiste em me fazer acreditar nessa mentira, que impede a fístula purulenta que se formou, de ter um fim. Amor...

Cicatriz...

È tudo o que vai me restar...

Quando mais uma vez você romper os pontos que tanto tempo eu demorei para cozer, na pele já quase morta do meu coração. Naquela ferida imunda que ao longo do tempo eu deixei você cultivar, sem perceber o quão profundo você tocava. Já sem ferida, mas com marcas, muitas marcas, eu vou olhar para tras e te querer de novo; Te querer como já quis insaciavelmente. Mas vai bastar olhar para os sinais, as cicatrizes, pra me lembrar do quanto você me fez mal, e então, te amar outra vez...




Ayron B.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Morte e convivência"


Suspiro profundo... "Ai, a vida!"
Suspiro abafado. Morte.
Ambas chegam de repente, sem avisar, causam um monte de sentimentos intensos e muitas vezes duradouros... para quem prossegue a viagem e para quem estaciona. Ambas são necessárias e ambas são inúteis. Quem convive é quem diz. Quem sente é quem diz. Quem faz é quem diz. Quem não passa... perdeu. Poderia ter dito.
Se hoje um anjo maroto, com um belo sorriso exposto, se virasse a e perguntasse: "O que pretendes na vida?"
Eu, ainda mais maroto, com essa minha cara de bobo, responderia ao anjo animado: "Viver".
Assim como qualquer outro, o anjo me faria uma cara de sabido, riria os lábios de lado e debocharia. Eu o indagaria: "Mas o que faria eu, senão viver um dia após o outro?!".
A vida chega aos poucos, a morte chega súbita. Viver um dia após o outro não é deixar o fluxo do rio da vida lhe carregar. Viver é aceitar todos os dias, que não há forma de não morrer. E assim, trabalhar pra que valha a pena o viver.
O viver é eterno pra quem nunca morreu, mas a morte, ao contrário do que muitos dizem, eterniza toda uma vida. A morte, faz ser pra sempre todas as suas conquistas, seus sonhos realizados, seus entes amados, seus sorrisos doados, seus dias de sol, suas noites frias, os abraços e beijos, as alegria e as tristezas...
A morte nunca foi a vilã dessa história do dia após dia. A morte é a coroação do justo de viveu uma vida bem vivida. A morte é quem lhe faz parecer inesquecível. A morte não é o fim da vida; a morte é o início da memória, da saudade, dos sorrisos sem sentido, dos choros repentinos, do amor eterno e verdadeiro, aquele que não precisa de reciprocidade, já que ninguém pode mais responder: "Eu te amo, também.".
A morte é um novo descanso; um carinho de Deus... um novo suspiro profundo, longo, duradouro... eterno.


Ayron B.


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"Não há vida sem morte
Como não há morte sem vida
Mas há também uma morte em vida
E a morte em vida
É exactamente a vida
proibida de ser vivida...

A distância permite-nos a saudades
... mas nunca o esquecimento..."


Medusa

quinta-feira, 1 de julho de 2010

"Sorria"


Sonhar que o colorido ao redor deixa a vida mais divertida de se viver não ajuda muito.
Dançar e cantar como num musical da Disney nos faz felizes momentaneamente, mas não devemos perder a compostura já que a vida passa como um trator e se você não souber pilotar máquinas pesadas ela destrói tudo o que você já construiu pra si.
Nem sonhar, dançar ou cantar... Talvez sorrir! Um sorriso verdadeiro no momento importante transforma, revigora, alegra! E feliz não é só aquele que sorri. Um amigo que tem o prazer de ter quem ama sorrindo sempre a sua volta, é ainda mais feliz!
Sorria! Não porque está sendo filmado.Sorria, para que queiram filmar você.


Ayron B.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

"Moribundo"


Escrevo catando letras, como quem cata os restos de uma chuva de papel picado. Tentando consumir algo que há tanto tempo tenta me consumir, como quem vem comendo aos poucos de dentro pra fora, indolor, inodoro, mudo...
Apanho-me num quarto sombrio, escurecido por um tom de azul cor de sangue. Um cheiro de mofo e coisa velha, madeira antiga cheirando a sangue. Uma chuva fina batendo à janela trancada, incomodando o sono funesto do moribundo... Barulho de sangue.
Ninguém mais dorme? Por que esse som ensurdecedor vem das ruas se eu me recuso a acordar? Ainda é noite, certo?!
Algo cheirando a podre, vozes de mães ao fundo, seguidas de um som grosseiro de motor que lembra a morte que chega cavalgando seu imponente cavalo negro.
Nada muda... O desespero vem de dentro; as onomatopéias ao redor é que o transformam em sonhos de sangue, fantasias mórbidas.
Toda noite é só mais uma... E outra... E fim.


Ayron B.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Tentativa"


E eu fecho os olhos numa tentativa cega de parar com tanto sofrimento. Cruzo os dedos pra talvez abrir os olhos ainda fechados e estar tudo bem... Que nada! Pra quem não tem um rumo a seguir, olhos fechados e dedos em forma de cruz não resolvem muito.
Pena! Talvez seja essa a palavra a resumir uma existência tão patética e sem motivo aparente. Ódio! O amor que se diz um sentimento tão forte, tão nobre nem de longe me convence do contrário. Quem é experto convence o mundo, o tempo, a mentira. Quem tem boca vai onde quer, contanto que não fale nada além do que não se quer ouvir. Nem todas as palavras torpes já criadas ou descobertas conseguem acalmar num grito só uma alma perturbada, vazia, incrédula...
O suporte da alma, o espírito, às vezes geme alto quando não se tem mais nada a fazer; quando parece que a estrada chegou ao fim. O fim que vem pra todos, pra muitos chega quando não deveria, quando não se espera e nem se quer.
Incrível como certas partes do corpo diretamente guiadas pela mente tem o poder de acalmar, refazer e revigorar o resto todo. Assim como o músculo maledicente que bate como chibata nas costas do negro coitado, contando injúrias e lástimas da vida alheia. Lastimável... Triste.
Quanto se tem de troco quando se paga pra ver a tristeza do outro? O preço é baixo, o produto é a primeira vista agradável, viçoso... Mas o troco... Ah o troco! Desgraça e sofrimento ao coitado! Morte ao injure! Morte...


Ayron B.

segunda-feira, 21 de junho de 2010




Os posts a seguir são textos de quatro de meus amigos pessoais seguidos de coments meus. Espero que todos gostem!!!


Ayron B.

"Metamorfose"


É fácil falar das coisas da vida, difícil é falar com clareza e com expressão, com originalidade.
Acabo de abrir um perfil do Orkut, onde seu dono tinha em sua pagina uma poesia de Leminski, que eu pensava ser a única a adotá-la para minha vida. O estranho é que mesmo sem me conhecer, essa pessoa tem mais em comum comigo do que imagina. E isso me causou certo desconforto.
Na verdade, comecei esse assunto para exprimir minha vontade de alcançar todas as mentes do mundo, de acariciar todas as pessoas com um conjunto simplório de palavras, onde independentemente da opinião, da interpretação, a mensagem seja positiva.
Utopia? Sim, com certeza não existirá consenso entre todas as pessoas do mundo e com certeza não alcançarei os olhos de todas elas, mas pretendo não esmorecer, pretendo não abandonar essa vontade de gritar a tudo e a todos que a verdade tem uma só trilha, expressa em uma só palavra, com apenas três letrinhas: BEM.
E nesse desabafo sem razão, nessa tentativa sem precisão passo meu depoimento à população, através de uma rima barata e cheia de confusão. Meu papel no mundo é não me calar, é fazer parecer que a vida é mais simples e mais bonita. Ainda preciso ler muito, observar muito, pra ser formadora de opinião, mas é com imenso prazer que escreverei periodicamente para este blog, ao qual devo muito a seu dono, meu amigo e confidente.

Nathalia Kammer.

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Ponto de vista: Nem é preciso dizer muito... Colocar o mundo dentro de si não é pra todos, é pra quem tem todo um mundo dentro de si, e essa tem! Existem pessoas que nascem pra ser realce, pra brilhar de alguma forma. Umas precisam lutar muito pra isso, porém estrelas anãs vagam pela terra com um brilho próprio tão intenso, que são capazes de contagiar-nos e de nos emprestar esse ‘shine’ superintenso! Pra saber se você é uma dessas estrelas, basta olhar pra dentro de si mesmo e se medir; uma mente confusa e cambaleante é o primeiro sintoma! Pessoas que sabem de tudo têm dificuldade de seguimentar seus conhecimentos e dotes.

Quem te deve sou eu minha lótus!

"Armas químicas e poemas"


Às vezes à noite minhas lágrimas doem
Cortam,
Como navalhas cegas

Machucam
Fere a carne de tal maneira onde
A dor é inevitável

Então vejo o sangue
Escorrer pelo meu pulso
Que outrora fora tão firme

Fecho os meus olhos ao negar, que,
Ainda possa haver uma saída
Esperança

E, tudo fica escuro...

Dyone F.

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Ponto de Vista: Muitos ao ler esse tipo de texto, poderiam afirmar se tratar de alguém pessimista, suicida e já no fim. Mas o meu simplório ‘ponto de vista’, (não o ponto de vista de quem conhece e admira o escritor, mas o ponto de vista de mais um leitor) diz se tratar de uma alma forte, por vezes sombria, intensa e contrastante. Uma visão realista e crua de momentos comuns a todos nós... Momentos em que nos sentimos sós, vazios, apagados e chorosos.

Sou seu eterno fã!